terça-feira, 28 de outubro de 2014

porque não me aceitas ?

nem sei como escrever isto, ultimamente, tem sido assim que começo os meus textos.
a verdade é que tenho uma grande necessidade de escrever mas nunca sei como o fazer ou como começar o que tenho realmente para dizer.
a verdade é que o que venho hoje escrever, é sobre a falta de auto-estima presente em cada osso do meu corpo, em cada fragmento do meu ser, em cada nada de mim .
sou a pessoa mais insegura que alguma vez conheci. a serio, sou mesmo. as pessoas estão na rua a conversar e quando eu passo, penso sempre que estão a comentar algo sobre a minha roupa, sobre o meu cabelo, ou pela minha falta de beleza. sim, eu não sou propriamente dotada do departamento de beleza. mas com o tempo aprendi a "aceitar" não ser o ser mais bonito do mundo.
não sou magra, sou um pouco "cheinha" para o meu gosto, tenho cabelos aos caracóis, olhos castanhos e uma cara de meter medo ao susto. já me disseram que não preciso de usar mascara no Carnaval ou halloween porque a minha cada mete medo - sim, são sempre bons elogios para alguém ouvir - mas não foi bem isso que em trouxe aqui .
num destes dias, em que eu finjo que sou super confiante e nada me afeta - sim, eu tenho desse dias - ouvi um comentário a meu respeito - respirei, suspirei, engoli o choro e fiz de conta que não tinha ouvido ou não me tinha afetado - mas a verdade é que afetou e muito. mas o que mais me magoou foi que a pessoa que fez o comentário ou melhor as pessoas que fizeram o cometário, sabiam que eu estava mesmo do lado, e poderia perfeitamente ouvir o que estavam a proferir a meu respeito.
levei muito anos a aceitar como sou, a olhar-me no espelho e perceber que não posso mudar a maneira como sou exteriormente - nem todas nós podemos ser Miranda Kerr's - para naquele dia ir tudo por água a baixo .
fiquei triste, só me apetecia fugir e nunca mais voltar. porquê que as pessoas tem que ser tão mazinhas ao ponto de magoar os outros com comentários ofensivos ?
e porque raio me afeta tanto ? eu sei que não sou bonita, muito menos me enquadro no ideal de mulher "gostosa" e que "todo mundo quer pegar" , mas era escusado estarem sempre a atirarem-me isso a cara . eu sei como sou, como é a minha aparência, tenho espelhos em casa, sabiam disso ?
é errado maltratar alguém só porque não se adequa nos padrões ideias de beleza da sociedade me que vivemos.
liga-se mais ao exterior do que propriamente ao interior de um ser humano.
a verdade é que eu sou uma PESSOA , tenho sentimentos - embora seja gelo por dentro - há comentários que marcam, que ficam, que moldam uma pessoa .
a verdade é que já devia estar habituada a este tipo de comentários, passei quase a minha vida toda a ouvir da boca de outras pessoas como era feia, como as minhas olheiras eram carregadas, como era magrinha demais, e depois como engordaste tanto ? e com o passar do tempo fui tendo cada vez mais a certeza que a beleza nao era uma coisa que me assistia, durante muito tempo nao me conseguia encarar no espelho , nao me conseguia reconhecer no espelho, via-me mas nao me reconhecia. sempre tive a certeza que era o ser mais feio que alguma vez existiu. mas com o passar do tempo aceitei isso. comecei a conviver razoavelmente bem com este "problema" . as pessoas acabaram por para de me insultar, de gozar comigo, que eu cheguei a esquecer que era feia.
mas a minha insegurança nunca me abandonou, sempre presente, sempre para me lembrar que nao sou ninguém, que quando alguem olha para mim é porque existe algo de errado comigo. que talvez, eu ser um ser feio incomode as pessoas e elas nem conseguem desviar o olhar.
sim, eu sei, este texto nao tem sentido, nem pes nem cabeça, mas precisava de escrever o que estava a sentir . estou triste, voltei a ter a sensação de sempre. e isso nao é nada agradavel. duvidar da propria sombra nao é um sentimento que me agrade. mas enquanto o comentario ecoar no meu pensamento nao consigo moderar esta minha insegurança.
so queria que as pessoas aceitassem as diferenças, que nao criticassem os outros, que nao insultassem e que nao gozassem so porque a minha cara nao é a mais bonita do mundo...

como eu queria ....

terça-feira, 7 de outubro de 2014

He - parte II

ele não gostava de mim, eu sempre soube disso, mas continuava ali, a espera de algo, de um sinal, de mais do que carinhos por entre os lençóis. eu era uma "criança"quando o vi pela primeira vez. tinha 15 anos e soube logo ali que era ele quem eu queria. ele não era um rapaz qualquer, era o Rapaz. nenhuma das minhas amigas compreendia o porquê de eu viver fixada num rapaz que só me queria quando mais ninguém o queria. na altura eu achava que seria por ter alguém mais velho que gostava da minha companhia, mas agora sei que era amor. e sempre foi. desde o primeiro olhar até hoje.
ele gostava de mim porque eu não cobrava nada, não exigia, estava presente e sabia quando me afastar.
se recuar uns anos, foi ele que me procurou, claro que eu insisti para ele me dar uma oportunidade, mas foi ele que procurou. quem deu o primeiro passo foi ele. ele procurou o primeiro beijo, o primeiro carinho e o primeiro conforto por debaixo dos lençóis. mas eu continuar aqui, a espera, só a mim é que posso culpar. eu é que me apaixonei, eu é que amei e deixei o que sentia de lado para não o perder.
na universidade que eu frequento conheci um rapaz que se tornou logo meu amigo. partilhamos a mesma historia, os personagens são diferentes e os papéis estão invertidos.
ele sofre por ela, e eu por ele. estranho, um pouco estranho. encontrei alguém com quem posso falar sobre o que se passa na minha vida.
agora passo todas as noites com ele no meu apartamento, a conversar, a rir, mas a maior parte das vezes, adormeço no colo dele a chorar, porque a pessoa que amo, está no bar habitual, a beber a bebida habitual, a dançar a mesma música vezes sem conta e no final da noite leva a loira mas vistosa para casa, para quarto, para os lençóis que milhares de vezes partilhamos.
a verdade é que nós, pelo menos para mim, não era só sexo, também era pela companhia, pelas conversas a meio da noite, pelos sorrisos bobos, pelas gargalhadas, pelos carinhos involuntários da parte dele, e dos "amo-te" que ele me sussurrava quando a manhã se aproximava e eu fingia que ainda estava a dormir, só para poder desfrutar um pouco mais da beleza que ele possui.
convenci-me que seria desta que deixaria de vez e tentaria levar a minha vida o mais normal possível, não vou ao bar, não respondo as mensagens que me manda, guardei os álbuns de fotografias, as camisolas que ele deixou esquecidas na cadeira do meu quarto, deixei de comprar a cerveja que ele gosta de beber. aos poucos estou a tentar retirar parte dele de mim, não vou conseguir pela totalidade pelo simples facto de ele ser ele.
sempre que vou a janela, por breves segundos, sinto que ele está la em baixo, naquele carro preto, a olhar para mim. por vezes penso que ele também sente a minha falta e que eu fui muito mais do que um mero corpo que possuiu sempre que quis. quero pensar que talvez, bem lá no fundo. os "amo-te" dele pela manhã fossem mesmo verdadeiros.
está tarde, e o meu amigo tem que ir embora, ele conseguiu resolver o problema dele com a pessoa que ama. quem me dera que o meu fosse tão fácil assim. quem me dera que ele se desse conta que eu era a única.
deixo um sorriso escapar e um abraço apertado. prometo que fico bem e que estou verdadeiramente feliz por ele. a verdade é que estou, só com uma pontinha de tristeza.

juro que aquele carro parece mesmo o dele ...

aquele corpo ali a chuva parece mesmo ele ...

mas sei que não é. ele está no bar ... e eu estou aqui, na janela do meu quarto ...

                                                                                                                 

                                                                                                       serie ela e ele...

domingo, 5 de outubro de 2014

"se eu pudesse via-te nos olhos "

há três anos que estudo naquela universidade, e nunca te tinha visto. sempre achei que naquela universidade, na cidade mais fria, não existia alguém interessante, alguém que me fizesse virar a cara mais do que uma vez.
justamente no meu último ano, encontrei alguém que me faz procurar, por todos os cantos da universidade, aquele sorriso meio torto.
vi-te pela primeira vez na escadas da universidade e algo me atraiu para ti. não me viste, sei que não. estavas com o olhar no horizonte, muito longe do meu.
mas algo me prendeu a ti. sorriso tímido, olhos brilhantes, alto, moreno, misterioso (pelo menos eu achei que sim). percorreste o meu pensamento algumas vezes durante esse dia. só pensava em voltar a ver-te. mas achei impossível.
voltei a ver-te, e fixei, novamente o meu olhar na tua face, no teu olhar e quando me apercebi ... tu estavas a olhar para mim, mesmo a olhar para mim. e timidamente sorri e desviei o olhar. talvez tenha sido errado da minha parte, mas a verdade é que não conseguia continuar a olhar saber que do outro tinha um olhar tão forte como o teu.
cruzamos-nos mais algumas vezes e os olhares continuaram, e o meu sorriso tímido teimava em aparecer. não sabia como reagir a tua presença, intimidas-me um pouco para falar a verdade. és alto, moreno, tens um olhar forte, a tua beira sinto-me pequenina - nunca me senti assim.
não trocamos uma única palavra, mas eu já sei o teu nome e o teu curso, por magia ou obra do destino és do mesmo curso que o meu melhor amigo.
o que me está a acontecer ? não consigo perceber o efeito que estás a ter em mim e sinto que é melhor não pensar muito nisso. eu conheço-me, quando penso demais começo a sentir, e eu não quero sentir.
prometi a mim mesma que iria banir qualquer tipo de sentimento de mim. seria eu e apenas eu.
pronto, já estou a pensar demais nisto, não vale a pena. porque tu não pensas em mim, não sabes quem sou e nem desconfias que estou aqui a retirar um pouco da minha tarde de domingo a dedicar-te um texto. eu sou realista, alguém como tu, não iria olhar para alguém como eu.

"Foi muito lindo te ver pela primeira vez e pensar, sem palavras :  EU QUERO."


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