sexta-feira, 24 de maio de 2013

hoje, encontrei-te no café da esquina da minha antiga rua. estavas mais bonito que nunca. com um sorriso do tamanho do mundo. a beberes o teu café e a fumares um cigarro, hábito que adquiriste meses depois de nos termos separado. denotei em ti uma leve amargura no rosto e um pouco de tristeza no olhar.  encontravas-te sozinho, coisa  que nunca antes tinha acontecido. sempre foste um rapaz bonito e raparigas nunca te faltaram. sempre achei estranho que de todas do teu vasto harém ter sido eu a tua escolhida. dizias tu que tinha algo que mais ninguém tinha, possuía um brilho no rosto. uma verdade no olhar. difícil de conquistar. e eu,  como todas as outras raparigas cedi à tua conversa de conquistador e cai aos teus encantos. nunca me arrependi de o ter feito, não ia ser agora depois de tanto tempo. noto em ti , que a idade não é algo que passe por ti, sei que já não és o mesmo rapaz de 18 anos por quem me apaixonei quando tinha apenas 16 anos, mas  o teu rosto continua o mesmo. o teu olhar continua o mesmo, a expressão facial é a mesma. depois de nos termos separado soube que nunca mais tiveste nenhuma rapariga ao teu lado, apenas alguns casos fugazes para te aquecerem a alma e não te deixarem esquecer que estavas vivo e que também precisas que alguém  mesmo por  breves instantes, te ame. sei que gritaste aos sete ventos que nunca mais foste feliz depois de mim e que mais ninguém te fez feliz. por vezes sentia uma enorme vontade de te procurar e dizer que te queria de volta e que todos os teus erros é que te tornavam perfeito para mim mas o orgulho falou mais alto e após 20 anos passados nunca mais te procurei. naquele preciso momento, naquela esquina do café desejei que fosses meu, que olhasses para mim e visses a tua pequena, a tua menina, quis voltar ao passado.
e foi nesse mesmo momento que os nossos olhares se cruzaram depois de tantos anos sem se verem e o sentimento voltou e a dor também. naquele momento não percebi o que nos prendeu ao chão  porque nem eu nem tu conseguimos sair do mesmo sitio ou pronunciar o que quer que fosse. fiquei minutos a contemplar o teu rosto envelhecido, o teu olhar triste e o teu sorriso de menino. e ali ficamos a recordar o passado, os momentos, os segredos e os sorrisos, parecíamos os dois adolescentes apaixonados de outrora. passado algum tempo senti que já não devia estar ali, despedi-me com olhar e tu percebeste. sentiste que talvez não seria a ultima vez que nos encontraríamos e eu concordei..,
e então eu fui, virei a esquina e deixei-te para trás, a ti e as memorias que vinham contigo, senti no teu olhar um certo desapontamento, mas não podia mudar nada. sei que foi o destino, sei que foi ele, porque passados 20 anos quais eram as probabilidades de eu cruzar a esquina da minha velha casa e te encontrar no café da minha antiga rua?

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